REFLEXÃO CRÍTICA À RESPEITO DA LEITURA: A ESCOLA COMO ESPAÇO SÓCIO-CULTURAL

A ESCOLA COMO ESPAÇO SOCIOCULTURAL

A escola por muitas vezes é vista como algo à parte da sociedade, desde sua arquitetura à sua forma de organização, muitas vezes ela é pensada em uma lógica mecanicista, rígida e visa outra filosofia sobre o que se trata educação, filosofia a qual pode-se identificar simplesmente pela relação dos alunos com a concepção de educação. Isto é facilmente visto em como lidam com a organização da escola, com os professores e com o ambiente escolar. Na visão do aluno (de forma generalizada ao considerar o ambiente escolar atual.) a educação não passa de uma obrigatoriedade, e esta concepção implica na forma como o aluno aprende e reflete algo descompassado entre a cultura e a escola.
Nesta lógica observar a escola como espaço sociocultural significava analisá-la sob a ótica da cultura de acordo com Dayrell (1996). Para isto, entendendo que a dimensão dos problemas educacionais são reflexos do descompasso entre cultura e escola “implica, assim, resgatar o papel dos sujeitos na trama social que a constitui, enquanto instituição” (Dayrell, 1996, p.?), isto significa que cada entidade genericamente denominada “aluno” é um indivíduo dotado de singularidade. E ao decorrer do texto Dayrell expõe esta singularidade através das dimensões da diversidade cultural, da arquitetura escolar, do encontro e do conhecimento na escola. Desvencilhando-se da ótica da instituição escolar pensada na ótica das análises macro-estruturais funcionalistas (Dayrell, 1996). Dessa forma,
“O reflexo desse paradigma emergente é um novo humanismo, que coloca a pessoa, enquanto autor e sujeito do mundo, no centro do conhecimento, mas, tanto a natureza, quanto as estruturas, estão no centro da pessoa, ou seja, a natureza e a sociedade são antes de tudo humanas.” (Dayrell, 1996, p.?)
Desta forma o olhar sociocultural da escola, permite observar dois grupos de pessoas que interagem entre si em forma de negociações, imposições e reclamações, o primeiro grupo são os alunos, entendidos como atores culturais dotados de singularidade, e a instituição formada pelo corpo docente e administração. Esta relação um tanto quanto conflituosa ocorre em algumas das dimensões já citadas anteriormente.

A Individualidade totalizada do ator cultural (aluno)

Esta dimensão é erradicada ou diminuída na escola por uma perspectiva universalista sobre o que são os alunos, do que precisam e para o que estudam, Dayrell argumenta de que essa universalidade faz com que estas perguntas sejam resumidas no âmbito dos objetivos da instituição escola, ou seja, para a escola estes atores sociais é uma única entidade, ALUNOS, em um sentido totalizante. Desta forma a “A diversidade real dos alunos é reduzida a diferenças apreendidas na ótica da cognição (bom ou mau aluno, esforçado ou preguiçoso, etc..) ou na do comportamento (bom ou mau aluno, obediente ou rebelde, disciplinado ou indisciplinado, etc...).” A escola reduz esta individualidade dotada de aspectos culturais pessoais, experiências de convívio, sua cosmo-visão e limita o aluno tirando dele toda esta carga cultural. Nesta mesma lógica o espaço físico da escola é pensado da mesma forma,
“A arquitetura e a ocupação do espaço físico não são neutras. Desde a forma da construção até a localização dos espaços, tudo é delimitado formalmente, segundo princípios racionais, que expressam uma expectativa de comportamento dos seus usuários” (Dayrell, 1996, p.?)
E como prova de que problemas educacionais são reflexos de uma desconsideração sociocultural é o fenômeno da re-significação do espaço, então pode-se observar parede pichadas, depredação e etc... Uma reação que pode se dá de forma agravada ou atenuada.
Principalmente, a escola é um espaço de encontro, ao contrário da crença tradicionalista sobre o espaço educacional. E pensando ainda na perspectiva da re-significação, as conversas paralelas em horário de aula e transgressões, são uma reação a esta perspectiva, que reduz, totaliza a dimensão cultural do aluno.

REFERÊNCIAS

DAYRELL, Juarez. A escola como espaço sócio-cultural. Múltiplos olhares sobre educação e cultura. Belo Horizonte: UFMG, v. 194, p. 136-162, 1996.

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